Cirurgiões do Hospital São João/Apamir/Consaúde realizam, com sucesso, primeira cirurgia de Angioplastia do Vale

Registro – O empresário Eduardo Roberto Riggo, de Peruíbe, não consegue encontrar as palavras exatas para expressar sua gratidão com o sucesso da cirurgia pelo qual passou no dia 21 de janeiro: a Angioplastia, cirurgia Endovascular (com cateteres), para desobstruir uma artéria da perna esquerda. A obstrução desta artéria lhe prejudicava os movimentos e lhe causava muita dor. “A gratidão com a equipe médica e funcionários é imensa. Essa emoção tão grande é de alegria por ter me livrado de muito sofrimento”, disse.
A cirurgia foi realizada no Centro Cirúrgico do Hospital São João /Apamir/Consaúde, pelos cirurgiões vasculares Anelise Rodrigues Bezerra dos Santos e Petrônio Bezerra dos Santos, com o anestesista André Luiz Barleta Dias. Com má circulação na perna esquerda e um processo de gangrena em instalação, Eduardo Roberto Riggo foi internado na terça 20/01. Na quarta 21/01, passou pela cirurgia que durou 1h30.Dois dias depois, estava em casa.
Os médicos colocaram dois stents no interior da artéria da perna para desobstruir a passagem do sangue e devolver a circulação normal. “Eu sentia muitas dores na perna. Por vezes, ela amortecia e gelava. Eram sintomas parecidos aos que senti na perna direita, que precisou ser amputada tempos atrás”, contou.
Sobre a cirurgia, Eduardo só tece elogios: “Não tive nenhuma dor. Recebi um atendimento excelente, que me emocionou. Minha circulação voltou ao normal. A única dor que sinto hoje é muscular porque agora já posso movimentar a perna”, comemorou. A possibilidade de realizar a Angioplastia, cirurgia considerada de alta complexidade no Hospital São João, só foi possível porque a direção do Hospital adquiriu o Arco Cirúrgico, um aparelho de radiografia- com imagem intensificada computadorizada – que possibilita visão instantânea do que acontece durante a cirurgia.
A superintendente do Consaúde, Maria Cármen Amarante Botelho, destacou que a cirurgia, pioneira na região, representa um grande avanço da saúde pública regional:“O Arco permite a melhora da qualidade dos procedimentos cirúrgicos e maior conforto aos pacientes”, disse. O diretor técnico do HSJ, Edson Marques Manoel, explicou o aparelho também pode ser utilizado para realizar cirurgias menos invasivas nas áreas Vascular, Urologia e Ortopedia.
O médico cirurgião Petrônio comemorou o avanço na área cirúrgica. Segundo ele, entre as vantagens da Angioplastia, estão ainda menor sofrimento para os pacientes, menor ocupação de leitos e menor custo para o sistema de saúde. “Pelo método tradicional, teríamos que fazer uma incisão na coxa, procedimento mais agressivo que obrigaria o paciente a ficar internado entre 5 a 6 dias. Com a utilização do Arco Cirúrgico para a cirurgia de Angioplastia, o período de internação foi reduzido para dois dias, pois a cirurgia foi realizada apenas com uma punção na região inguinal ( virilha) para acesso à artéria obstruída”, explicou.
A médica Anelise explicou que a tecnologia do Arco permite ainda maior precisão em exames radiológicos vasculares e também possibilita a realização de procedimentos e cirurgias mais complexas, tanto em cirurgia vascular como urologia e ortopedia, que antes não poderiam ser feitas na região. Segundo ela, no caso da Angioplastia, por exemplo, o aparelho permite a visualização do local exato da obstrução da artéria, e também do resultado imediato da cirurgia. “Sem o Arco, essa cirurgia seria impossível. Foi um grande salto na qualidade dos serviços oferecidos”, afirmou.

Serviço
O que é Angioplastia e quais os cuidados preventivos

“As artérias são os vasos responsáveis por distribuir o sangue oxigenado do coração para o restante do corpo. Nas doenças que acometem as artérias (aterosclerose) ocorre um estreitamento da luz (parte interna) das artérias, devido a formação de placas. Com o isso, ocorre uma diminuição da quantidade de sangue e, consequentemente de oxigênio, que chega a parte do corpo que é nutrida pelo vaso acometido. Acontece principalmente nas artérias dos membros inferiores (pernas).
Existem diversos fatores que podem contribuir pra a instalação e progressão da doença. O principal é o tabagismo (fumo), mas diabete, dislipidemia (alterações do colesterol), algumas infecções e alguns outros fatores também contribuem.
A doença progride de maneira lenta e por vezes passa desapercebida durante muito tempo.
O principal sintoma são dores na panturilha que surgem durante caminhadas e que passam quando a caminhada é interrompida. Após algum tempo de repouso, a dor cessa, e o exercício pode ser continuado. Quanto mais grave a doença, menor a distância caminhada até o surgimento da dor. Esse sintoma é conhecido como “claudicação intermitente”. Com o passar do tempo, o paciente pode ter dor mesmo sem caminhar (dor de repouso) e em casos mais graves podem aparecer feridas que não cicatrizam e ocorrer gangrena com necessidade de amputação do membro.
O tratamento na maioria das vezes é clinico, e consiste de controle dos fatores de risco, exercícios programados e eventualmente uso de medicações especificas. Em alguns casos, pode ser necessário um procedimento para restabelecer a chegada do sangue na perna (revascularizacão). Esse procedimento pode ser uma cirurgia convencional (“bypass” ou ponte) ou uma angioplastia, com ou sem colocação de stent, cada um deles com suas devidas indicações.
O importante é prestar atenção ao surgimento dos sintomas e ter cuidados como não fumar, fazer exercícios e controlar diabetes e outras doenças ”

Treinamento
A médica Anelise participará do treinamento (Fellow) em Cirurgia Endovascular, no Hospital Clinic, da Universidade de Barcelona, na Espanha. O treinamento será realizado entre abril e setembro desse ano. O Hospital Clinic detém tecnologia de ponta na área, com as principais novidades do setor.