Consaúde alerta população sobre dermatite causada por mariposa noturna

Era por volta das 02:30h da madrugada, do dia 2º de dezembro, quando o Pronto-Socorro do HRVR/Consaúdeatendeu uma jovem com coceiras em boa parte corpo, o que foi diagnosticado como uma dermatite. Para seu tratamento, cinco dias à base de antialérgicos.

Coincidência ou não, a fêmea adulta da mariposa do gênero Hylesia, de hábitos noturnos, muito freqüente neste período de temperaturas mais elevadas, possui escamas abdominais modificadas em cerdas, utilizadas para proteger seus ovos da ação de predadores, que, em contato com a pele humana, desencadeia reações alérgicas.

O caso da paciente, acima descrito, foi um dos inúmeros do tipo, que estão ocorrendo no Vale do Ribeira. OConsaúde (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Ribeira) alerta a população do Alto Vale, Vale do Ribeira e Litoral Sul sobre o cuidado com o aparecimento deste tipo de sintoma, o que vem coincidindo com o aparecimento da mariposa. Nos atendimentos realizados no HRVR/Consaúde, as regiões mais atingidas e expostas ao contato do pó, possivelmente proveniente da Hylesia, foram a palma da mão, tronco, pescoço e antebraço.

Nos últimos dias, inúmeros casos de dermatite, escabiose, urticária, entre outras reações semelhantes, foram e estão sendo diagnosticado nas Unidades Básicas de Saúde de vários municípios do Vale do Ribeira e no Pronto Atendimento do Hospital Regional do Vale do Ribeira. A quantidade de pessoas, principalmente provenientes da zona rural, que vem apresentando coceira, irritação da pele e sintomas semelhantes pode ser considerada fora do habitual, o que coincide com o aparecimento dos insetos. Para quem não se recorda, entre os anos de 1989 e 1991, o pó da Hylesia causou um surto em todo litoral paulista e no Vale do Ribeira.

Mesmo tomando remédios para aliviar a coceira, a prevenção ainda é a melhor forma de evitar o contato com o pó urticante. Como as cerdas e pelos da mariposa se destacam com grande facilidade das asas, principalmente no contato com luzes acesas, formando nuvens de flocos que depositam-se nos móveis, objetos, superfícies e roupas, é necessário tomar os seguintes cuidados:

1. fechar janelas e portas durante o entardecer;
2. apagar luzes externas das moradias e estabelecimentos;
3. não permanecer sob postes luminosos;
4. retirar roupas dos varais antes do entardecer;
5. limpar ou lavar móveis ou objetos (sem varrer ou espanar) durante a manhã;
6. evitar o contato com a mariposa;
7. manter as unhas cortadas e evitar se coçar.

Segundo o médico e diretor técnico em exercício do HRVR/Consaúde, Edson Marques Manoel: “A população deve evitar colocar remédios ou utilizar fórmulas caseiras em caso de coceira. O mais adequado é colocar compressas frias, além de tomar banhos frios para aliviar a coceira. Se mesmo assim a irritação persistir, as pessoas devem procurar um atendimento médico ou posto de saúde mais próximo.” O médico ainda acrescenta que as coceiras podem durar de 7 a dez dias, e recomenda aos pacientes que evitem ficar na presença da Hylesia.

Como instituição de saúde pública, o Consaúde alerta os profissionais da área de saúde atenção especial para o diagnóstico e tratamento destes possíveis casos, além de aconselhar a população para a prevenção.

Porém, as pessoas não devem ficar alarmadas, pois o fato do aparecimento da mariposa não tem influenciado nos números tabulados pelo SAME (Serviço de Arquivos Médicos e Estatística) do HRVR/Consaúde. Só no mês de novembro, por exemplo, foram atendidos 14 casos de dermatite, 02 de escobiose (considerada sarna) e 8 de urticária. O conselho é ter cuidado e prevenir coceiras futuras.